Grécia Antiga #4: O período Homérico

Olá tudo bem? Vamos dar continuidade aos nossos estudos sobre Grécia Antiga. Estamos avançando rápido, vamos falar sobre o Período Homérico que se inicia em 1.200 ac. Se você tem alguma duvida sobre a origem do nome do período ou quer conferir algumas curiosidades sobre ele, dá uma conferida nesse link aqui: https://vamosfalardehistoria594548886.wordpress.com/2018/08/09/quem-foi-homero/ Lá eu explico várias coisas importantes para a melhor compreensão do que vamos falar agora. Não deixe de conferir combinado? Então vamos continuar.

A civilização micênica chega ao fim por diversos fatores, dentre eles destaco a invasão Dórica o que culminou na Primeira Diáspora Grega. Essa dispersão fez com que as pessoas ocupassem outras regiões e trouxe mudanças significativas em sua maneira de viver. Um exemplo disso é a organização familiar e social. Antes as cidades eram palacianas, ou seja, se organizavam em torno de palácios que geralmente ficava no centro da cidade, esses palácios eram centros administrativos em que os reis se organizavam fazendo com que o cotidiano social girasse em torno dele. Agora esse cenário vai mudar, as famílias vão se organizar em genos (se lê guenos). Nome esquisito né? Vamos ver do que se trata.

Os genos eram comunidades onde os bens econômicos como terras, animais, sementes e instrumentos de trabalho, ficavam sob o controle do chefe comunitário que era conhecido como Pater. Esse chefe exercia funções religiosas, administrativas e judiciárias. O conjunto de genos ficou conhecido como comunidade gentílica.

O pater consegue manter um controle sobre o povo usando de rituais religiosos. Eles acreditavam que esses chefes conseguiam se comunicar com seus antepassados e com os deuses protetores daquela família. Considerando essa formação dos genos, era muito importante sua família ser forte militarmente, bem estruturada em termos de organização, ser bem abastecida de suprimentos e porque não ter uma ajudinha dos deuses? O pater administrava tudo isso. Compreende o motivo pelo qual ele se destacava?

Observe agora algumas das principais características dos genos:

  1. Reuniam em um mesmo lar descendentes de um único antepassado, geralmente um herói ou semideus;
  2. Composto por centenas de pessoas e comandado por um único chefe;
  3. Culto aos antepassados e justiça própria baseada nos costumes;
  4. Autonomia política;
  5. Trabalho coletivo;
  6. Só recorriam ao trabalho escravo quando a família era pouco numerosa ou não dominava alguma técnica de produção;
  7. Diferença social determinada pelo grau de parentesco com os chefes dos genos;
  8. Economia agropastoril.

Fim do período Homérico

O crescimento populacional e a disputa por terras cultiváveis, resultaram de forma progressiva na formação de diferentes grupos sociais, enfraquecendo os tão bem organizados genos. Alguns paters ou membros próximos deles começaram a se apoderar das terras mais férteis, transformando-as em propriedades particulares. As pessoas que ficaram sem terras passam a se dedicar ao artesanato e ao comércio, além de se dispersarem dos seus locais de origem.

A nova dispersão foi chamada de SEGUNDA DIÁSPORA GREGA. Os gregos se deslocam para áreas que se urbanizavam na península balcânica, ilhas vizinhas e costa da Ásia Menor dentre outras regiões observe o mapa a seguir:

mapenha

A formação de centros de colonização em outras áreas do mediterrâneo, aliada ao crescimento das cidades, foi fator decisivo para o desenvolvimento comercial da Grécia na Antiguidade.

Em breve estudaremos mais sobre esse assunto. Por aqui continuamos falando de história.

Anúncios

Quem foi Homero?

Se você já vem acompanhando o blog há algum tempo sabe que estamos tratando sobre a Grécia Antiga. No primeiro post falamos sobre algumas curiosidades a respeito do mundo grego: Veja aqui. No segundo, falamos sobre a primeira sociedade grega a cretense: veja aqui . E por ultimo falamos sobre a última civilização conhecida como PRÉ-HOMÉRICA que era a micênica: veja aqui

Tudo o que estudarmos a partir de agora terá uma pessoa como marco, e essa pessoa se chama Homero. Muita informação sobre os próximos períodos vem de duas obras atribuídas a ele que são a Ilíada e a Odisseia. O que essas obras representam de tão importante? Vou destacar aqui algumas citações a respeito delas:

“A Ilíada é um poema épico cuja autoria é atribuída a Homero, poeta grego, do século VIII a.C. Nesta obra, o autor descreve a Guerra de Troia (entre gregos e troianos) em vinte cantos. Na Ilíada, Homero conta o penúltimo ano desta guerra, que durou dez anos.[…]

[…]Esta obra é uma das mais importantes da antiguidade. Não retrata fielmente a guerra, pois foi escrita quatro séculos após o fato, mas é um ótimo relato histórico sobre a cultura, o comportamento e a vida cotidiana dos gregos antigos. Aquiles, Heitor, Ulisses e Agamenon são os principais personagens deste poema.”

https://www.suapesquisa.com/pesquisa/iliada.htm

“Odisseia é um poema épico do século IX a.C., descrito pelo poeta grego Homero, que narra as aventuras do herói Ulisses, na sua viagem de retorno para “Ítaca”, após a Guerra de Troia.

O nome “Odisseia” vem de “Odysseus”, herói grego, rei de Ítaca, que os latinos chamaram de Ulixes (Ulisses).[…]”

https://www.significados.com.br/odisseia/

Uma parte da historia grega é dividida em período pré-homérico e período Homérico. O período pré-homérico chega ao fim com a chegada dos Dórios e os anos seguintes são conhecidos como “séculos obscuros”. São quatrocentos anos de um período mal conhecido, onde ocorreu o desaparecimento do comércio de longo curso e o abandono da escrita. Com a ausência de documentos escritos restam aos historiadores os resultados das pesquisas arqueológicas para remontarem esse período. Como essas pesquisas não trouxeram muitas informações concretas, as obras de Homero são consideradas os documentos mais relevantes para compreender o período.

Os poemas de Homero se tornaram tradicionais documentos literários. Entretanto, tanto a autoria quanto a existência do poeta são colocados em xeque, pois as pesquisas apontam para dois ou mais compositores da obra.

Estudos arqueológicos recentes discordam de vários episódios das obras de Homero. Um exemplo disso é que em sua narrativa Homero declara que Troia foi destruída por um incêndio, mas os estudos apontam que a cidade foi destruída por um terremoto.

Um historiador inglês chamado Moses Finley propôs que a historia de Troia fosse retirada dos livros de historia definitivamente. Ele afirma que não há uma só prova consistente de que essa guerra de fato existiu.

Então nada disso faz sentido? Não é bem assim! Sabe-se que a guerra representa um valor extremamente importante para os gregos. Rivalizar, competir e vencer era o único modo de ser digno dos deuses. O mínimo que podemos aprender é que essas histórias refletem como os gregos se enxergavam no seu cotidiano, eles apresentam uma necessidade de construir e preservar narrativas que os valorizem como povo.

 “Para mesopotâmicos e egípcios, os deuses eram os principais responsáveis pelo bem ou pelo mal que advêm aos seres humanos. Para Homero, os deuses ainda estão muito envolvidos nos negócios do homem, mas o poeta converte o indivíduo num personagem decisivo para os destinos do mundo. Os homens homéricos tributam respeito aos deuses, mas escolhem o próprio caminho, chegando às vezes a desafiá-los. Buscam seus objetivos e enfrentam seus problemas; os deuses podem ajudá-los ou frustrá-los, porém o êxito ou o fracasso só aos seres humanos pertence.”

Fonte: Oficina de História editora: Leya

Para finalizar vou deixar aqui uma minibiografia sobre Homero, para ajudar a fixar todas essas informações.

Espero que esse breve resumo tenha ajudado a entender melhor esse conceito histórico, para continuarmos avançando nos estudos. E aí vamos falar de história?

 

 

 

 

 

 

Grécia Antiga #3: Civilização Micênica

No último post falamos sobre a Civilização Cretence, juntamente com suas característcas e seu declínio. Na ocasião destacamos o ano de 1450 a.C como o ano em que Creta é incendiada enfraquecendo assim o seu domínio.

No mesmo ano é atribuída aos micênicos a tomada da região de Cnossos e posteriormente o domínio sobre toda a região do Mar Egeu.

Os Micênicos são uma mistura de tribos indo-europeias junto com a chamada população pré-grega. Observe a seguinte citação:

Os micênicos eram um povo indo-europeu que, assim como muitos outros, iniciou um processo de migração e acabou estabelecendo-se na Europa (outros povos indo-europeus estabeleceram-se no planalto iraniano e na Índia). A partir de registros arqueológicos, os historiadores concluíram que os micênicos referiam-se a si mesmos como “aqueus”. O nome “micênico” foi utilizado em referência à cidade de Micenas.

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/civilizacao-micenica.htm

Essa civilização vai se fortalecendo e dominando mais territórios através do comércio marítimo. Eles estendem suas redes mercantis para leste e oeste alcançando a Sicília, sul da Península Itálica, os portos costeiros da Síria e Palestina. Esse período de prosperidade econômica e influência se prolonga até 1.100 a.C.

Os principais núcleos micênicos eram as cidades de Micenas, Argus e Pilos. A cidade de Micenas era onde ficava o centro administrativo, localizado no caminho de uma importante rota comercial que cruzava o nordeste do Peloponeso (Península no sul da Grécia) e estava em uma posição geográfica estratégica para facilitar sua defesa. A cidade com característica palaciana era bem delimitada e fortificada como você pode observar na imagem a seguir:

47f23d63e7058839fb742756cb339ae4

https://www.pinterest.pt/pin/306737424610653584/

Os micênicos construíram palácios inspirados nos modelos arquitetônicos cretenses, de onde seus reis dirigiam os negócios de Estado, sacerdotes e sacerdotisas realizavam cerimônias religiosas. Eles são conhecidos como um povo que valorizava a imagem da mulher chegando inclusive a colocá-las em pé de igualdade com os homens.

A entrada da cidade era feita pela porta dos leões, onde haviam dois leões esculpidos apoiando uma coluna. Muitos historiadores afirmam que essa obra tão famosa teria sido inspirada na cultura mesopotâmica.

porta_dos_lees-_micenas_.jpg

https://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2013/10/12/forma-estrutural-i/

A arte da guerra dos Micênicos:

Essa civilização investia em táticas e paramentos de guerra. As armaduras eram de uma estrutura única. Eles usavam uma espécie de capacete fabricado com presas de javali e orelhas de metal. Possuíam uma infantaria com lanças compridas e escudos. Observe:

4ce6dfea62fecfdead03941474ffc001.jpg9a73813605d995398754fa6dc789c56e.jpg

http://paleonerd.com.br/2015/06/09/a-treta-dos-micenicos/

Os micênicos se destacam tanto no quesito guerra que é atribuído a eles umas das guerras mais famosas da história: a Guerra de Troia:

Especula-se ainda que, se a Guerra de Troia de fato existiu, aconteceu durante o período de existência dos micênicos. O grande registro a respeito da Guerra de Troia é o poema épico de Homero, a Ilíada. A falta de evidências arqueológicas dificulta o trabalho dos historiadores em concluir se o conflito em Troia foi, de fato, real ou apenas um mito miscênico transmitido de maneira oral para as gerações helênicas seguintes.

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/civilizacao-micenica.htm

A guerra de Troia é um conflito que envolve vários fatores. Muitos acreditam se tratar de um mito, outros que é uma história real acrescida de elementos mitológicos e de tradição oral. O fato é que teria sido um evento envolvendo o rei Agamemnon de Micenas e o rei Príamo de Troia. Paris um príncipe troiano se apaixona por Helena uma rainha grega e eles fogem juntos para Troia. O príncipe Paris rouba a rainha e por isso ele e Troia iram sofrer graves consequências.

Essa história é muito incrível e envolve vários elementos, se você ficou curioso e gostaria de conhecer um pouco mais, eu vou indicar aqui um documentário disponível no youtube que está muito completo e vale a pena conferir:

Se você não gosta muito de documentários, a minha indicação é o filme Troia lançado em 2004 pela Warner Bros. É um ótimo filme recheado de drama, romance, aventura e claro muitas informações importantes.260x365_519ebbbf1495a.jpg

https://www.cineclick.com.br/criticas/troia

A decadência da Civilização Micênica

No início desse post nós falávamos a respeito da formação da sociedade micênica que é uma mistura de povos indo-europeus e a chamada população pré-grega, você se recorda? Para entendermos o declínio dessa civilização precisamos compreender que eles não se tratavam de um povo unificado devido as suas diversas origens. A definição de povos indo-europeus é a seguinte: se tratavam de povos nômades provenientes da Europa e da Ásia que possuíam certa unidade linguística, contudo esses povos não formavam uma unidade política, étnica e geográfica. Um exemplo disso são os povos Jônios e Eólios que migraram para a região por volta de 1.700 a. C.

O que se sabe sobre o fim dessa civilização é que teria havido guerras constantes entre seus reinos, perturbações sociais internas e provavelmente mudanças climáticas prejudiciais à agricultura.

Um outro fator importante seria a chegada dos Dórios que se tratava de um grupo étnico proveniente da Macedônia e do Épiro. Os Dórios vão dominando as regiões como: Creta, outras ilhas do mar Egeu, Corinto, Olimpia e Micenas.

É atribuído aos Dórios a formação de Esparta. Esse povo teria incendiado cidades e reduzido outras a condição de aldeias. A civilização Micênica teria sido completamente devastada nesse processo.

O século XII a. C é considerado o século da decadência do domínio micênico. Vale destacar aqui que não existem evidencias de que a invasão Dória tenha sido determinante para esse desfecho, pois não existem evidencias arqueológicas. A versão mais aceita, portanto é a que aponta para diversas ações como outras invasões, por exemplo, (não se sabe quais outros povos estariam envolvidos), desastres naturais e crises econômicas.

Independente desse fator os Dórios são um povo extremamente marcante para a história grega, com a chegada deles acontece a chamada PRIMEIRA DIÁSPORA GREGA , ou seja diversos povos vão se dispersando na direção das ilhas do mar Egeu e litoral da Ásia menor, isso favoreceu a formação de inúmeras colônias gregas.

O desaparecimento do mundo miscênico marca um período de transição onde vemos o fim das cidades centradas em palácios e a figura do rei divino se enfraquece. Isso trás mudanças religiosas, políticas e sociais profundas que veremos nos próximos posts. E aí vamos falar de história?

 

Grécia Antiga #2: Período Pré- Homérico – A Civilização Cretense

Olá. No post anterior falamos sobre Grécia Antiga: detalhes que você não sabia. Na ocasião falamos a respeito do território grego e sobre a influência linguística desse povo na atualidade, se você não viu, não deixe de conferir. Ok?

Hoje vamos começar a traçar uma linha do tempo a respeito desse povo destacando pontos essenciais da sua história, além de dar uma pincelada a respeito de algumas curiosidades dentro do período tratado. Vamos La?

Os primeiros registros de assentamentos humanos e atividades agrícolas na Grécia Antiga datam de 7.000 a.C. E existem evidências de que a partir de 3.000 a.C surgiu o desenvolvimento da metarlugia e o início de atividades comerciais.

Uma das primeiras regiões desse vasto território grego a se desenvolver foi a ilha de Creta. Observe o mapa a seguir:

creta

Fonte: http://povosdaantiguidade.blogspot.com/2010/04/civilizacao-cretense.html

Como você pode observar trata-se de um território privilegiado geograficamente, o que contribui muito para o desenvolvimento do comércio e da diversificada troca de produtos, era intenso o movimento em vários pontos da ilha. Essa movimentação contribuiu também para que os cretenses exercessem sua influência cultural trazendo traços definitivos para as futuras civilizações que ali se estabeleceriam. Talvez você esteja se perguntando: O que eles comercializavam? Os cretenses eram hábeis artesãos de ouro, prata e bronze, além de dominarem técnicas para produção de cerâmicas e tecidos. A arte produzida por eles também exprimia temas religiosos. Símbolos sagrados eram utilizados em vários pontos da cidade.

Dado essas características podemos afirmar que os cretenses construíram um verdadeiro império marítimo, formando aquilo que alguns historiadores costumam definir como TALASSOCRACIA, que é quando uma potência marítima disputa a supremacia. No caso da Ilha de Creta eles mantiveram essa supremacia por muito tempo.

Alguns historiadores afirmam que Creta era uma sociedade palaciana, ou seja, mantinha um poder concentrado nas mãos de reis que habitavam e governavam em palácios. O mais famoso deles era o palácio de Cnossos, cuja arquitetura você pode observar na imagem a seguir:

Visita-Virtual-Palacio-Cnossos.jpg

Fonte: https://historiadigital.org/visitas-virtuais/visita-virtual-ao-palacio-de-cnossos/

Outros historiadores afirmam que Creta não possuía uma unidade política. O conhecimento sobre essa civilização vem aumentando graças a estudos recentes nas ruínas de Cnossos e outros sítios arqueológicos na ilha. Um aspecto é inegável nesses estudos: O Palácio de Cnossos representa não somente poder. Ele é considerado um marco da mitologia grega. Esse palácio também era conhecido como labirinto ou “palácio do machado de dois gumes”. Esses nomes derivam do MITO DO MINOTAURO. Observe esse mito a seguir:

Zeus, o rei do Olimpo, viu a bela princesa Europa e a desejou. Mas não era fácil seduzir a moça, de modo que Zeus se disfarçou num touro imaculadamente branco e a transportou pelo mar até a ilha de Creta. Ali, possuiu-a. Mas os atrativos de Europa eram tantos que ele voltou várias vezes para visitá-la, o que não era habitual nesse deus volúvel. Com o tempo, Europa deu-lhe três filhos — Minos, Radamanto e Sarpêdon —, todos os quais foram adotados pelo rei cretense Asteríon, que se apaixonou por Europa e se casou com ela.
Quando os meninos cresceram, houve a inevitável disputa pela sucessão do trono após a morte do pai adotivo. Minos, o mais velho, resolveu a questão rezando para que Poseidon, o deus do mar, lhe desse um sinal divino. Poseidon prometeu que enviaria do mar um touro, como um sinal para o mundo inteiro de que a reivindicação do trono por Minos era favorecida pelos poderes divinos. Minos, por sua vez, concordou em sacrificar imediatamente esse touro ao deus, para afirmar sua lealdade a Poseidon e seu reconhecimento de que seu direito de governar provinha do senhor das profundezas oceânicas. Com isso, Minos deveria demonstrar a todos que seu poder não era apenas seu, e que ele deveria usá-lo com responsabilidade.
Poseidon cumpriu sua parte do pacto, e um magnífico touro branco emergiu das ondas. Minos, entretanto, uma vez coroado, não cumpriu sua promessa. A ganância e a vaidade instigaram-no, e ele começou a pensar em maneiras de ludibriar o deus e fugir ao sacrifício prometido. Considerava que o animal era tão esplêndido que seria uma pena matá-lo; quis mantê-lo em seu rebanho e usá-lo para reprodução, em vez de desperdiçá-lo imolando-o no altar dos sacrifícios. Assim, substituiu-o por seu segundo melhor touro e sacrificou este a Poseidon. Mas esse foi um erro que lhe custou muito caro; o deus ficou furioso e castigou Minos fazendo com que sua mulher, Pasifae, se apaixonasse loucamente pelo touro saído do mar.
Pasifae conseguiu satisfazer seu desejo ardente com a ajuda do artesão Dédalo, que lhe construiu uma vaca de madeira em tamanho natural na qual ela pudesse se esconder. O touro foi enganado e a união se consumou. O resultado desse estranho acasalamento foi o Minotauro — um monstro com corpo de homem e cabeça de touro, que se alimentava exclusivamente da carne humana de virgens. Para esconder essa criatura vergonhosa, Minos encomendou a Dédalo a construção de um labirinto complexo em que aprisionar o Minotauro, um labirinto tão difícil que ninguém fosse capaz de encontrar sua saída. Todos os anos, nove rapazes e nove moças eram enviados de Atenas para alimentar o terrível apetite do Minotauro. E ano após ano, o mal secreto que havia no coração do reino de Minos foi devorando sua paz, até que o herói ateniense Teseu embarcou para Creta. Teseu matou o Minotauro com a ajuda de Ariadne, uma das filhas de Minos, e com isso libertou Creta de sua terrível maldição. Desgastado pela tristeza e pela culpa, Minos morreu, e Teseu se tornou rei de Creta e de Atenas.

Fonte: http://divagacoesligeiras.blogspot.com/2014/09/o-rei-minos-e-o-touro.html

lenda do minotauro

Provavelmente o labirinto do mito é uma referencia ao palácio e estabelece uma relação com o domínio de Creta no território grego. O nome do monstro deriva do nome dos soberanos cretenses: minos. Os cretenses também serão conhecidos como minoicos pelo mesmo motivo.

Esse mito seria uma “explicação mitológica” para o fim de Creta, quando o minotauro é derrotado automaticamente a civilização se encerra. O fato é que por volta de 1.450 a.C Creta foi incendiada. Não se sabe o motivo se foram causas naturais, há quem acredite na erupção de um vulcão, ou se foi um incêndio criminoso proveniente de uma invasão. Com esse enfraquecimento a região sofre o domínio dos AQUEUS, um povo proveniente dos Bálcãs.

Os aqueus incorporaram diversos valores e costumes cretenses inclusive a escrita. Com o passar dos anos eles foram dominando os territórios ao sul da Península Balcânica fazendo assim com que MICENAS se transformasse no centro dessa nova civilização.

CURIOSIDADE:

A mulher tinha um destaque nessa civilização, a principal divindade dos cretenses era uma deusa conhecida como GRANDE MÃE:

1_7shyaMvXTU8Pg0FR4Plgjg.gif

Fonte: https://historiazine.com/os-cretenses-857a1c09a73c

Isso faz supor uma influência pouco comum quando se fala da Antiguidade, cujas famílias poderiam ser chefiadas por mulheres (sociedades matriarcais).

Nos próximos posts daremos continuidade aos nossos estudos sobre Grécia Antiga. E sempre estarei fazendo o tradicional convite: Vamos falar de História?

Grécia Antiga #1: Detalhes que você não sabia!

Vamos iniciar uma série que trará varias informações e curiosidades a respeito da Grécia Antiga. Para iniciar nossas observações vou falar a respeito do território grego. Muita gente acredita que falar sobre a antiguidade grega é o mesmo que falar sobre o passado do atual país Grécia e isso não é verdade. A Grécia era um grande império conhecido pelos gregos como Hélade, e esse império era dividido por vários territórios como você pode observar na imagem a seguir:

3c6685a5-df51-4554-9371-2337bed80368

Uma outra característica importante sobre o mundo grego que eu gostaria de destacar aqui é a questão das palavras que marcam não somente a história desse império como também hábitos e costumes inclusive várias dessas palavras fazem parte do nosso vocabulário atualmente e a maioria das pessoas  nem sabem da origem. Alguns exemplos são:

DEMOCRACIA: é o regime político em que a soberania é exercida pelo povo. A palavra democracia tem origem no grego demokratía que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder).

TIRANIA: A palavra deriva do grego tyrannos que significa líder ilegítimo. Poder soberano usurpado e ilegal; governo de tirano.

O professor de português Sérgio Nogueira escreveu um post mais detalhado sobre o assunto dá uma olhada:

O grego foi um dos idiomas que mais influenciaram o latim.

Várias palavras vieram do grego para o português, muitas delas passando antes pelo latim.

Antídoto
Veio do latim antidotu, contraveneno, que se originou do grego antídoton, forma reduzida da expressão phármakon (remédio) antídoton (de anti-, contra + doton, dado), ou seja, remédio dado contra.

Arquipélago
O mar Egeu, que fica entre a Grécia e a Turquia, era chamado pelos gregos de archipélagos. A palavra se formou de archi, principal (arqui-inimigo é o inimigo supremo) + pélagos, mar. A palavra passou a designar o conjunto de ilhas, porque o mar Egeu tinha muitas ilhas.

Bíblia
A forma mais antiga de livro foi um rolo de papiro, usado pelos egípcios, gregos e romanos. Em grego, livro era biblíon. A palavra veio do nome do porto de Byblos, na Fenícia (atualmente Jubayl, no Líbano), porque de lá eram exportadas grandes quantidades de papiro.

O grego biblíon no plural era biblía. A palavra passou para o latim eclesiástico para designar o conjunto de livros sagrados que compõe a bíblia.

Cirurgia
Através do latim chirurgia, veio do grego kheirourgía, que se formou de kheirós (mão) + érgon (obra, trabalho) e significava, além de trabalho manual, operação num paciente.

No grego, kheirós (mão) também aparece em kheiromanteía, origem do português quiromancia (previsão pelas linhas e sinais da mão).

Em português, o elemento -mancia (do grego manteía, adivinhação) aparece em várias palavras:

agromancia: adivinhação pelo aspecto dos campos;
aleuromancia: adivinhação pela farinha de trigo;
anemomancia: adivinhação do futuro pela observação dos ventos;
aritmomancia: adivinhação por meio de números;
cartomancia: adivinhação por cartas de baralho;
datilomancia: adivinhação por meio do exame dos dedos;
nefelomancia: adivinhação pela observação das nuvens;
oniromancia: adivinhação por meio da interpretação dos sonhos;
rabdomancia: adivinhação por meio de varinha mágica;
selenomancia: adivinhação pelos movimentos e posições da Lua;
tiromancia: adivinhação por meio do queijo.

Dinossauro
A palavra foi criada pelo cientista inglês Richard Owen a partir dos elementos gregos deinós (terrível, aterrador) + sauros (lagarto).

Eutanásia
Veio do grego euthanasía, formado de eu- (bom; como em eufonia, bom som) + thánatos (morte; como em tanatofobia, que é o medo doentio de morrer). Quer dizer, eutanásia se formou significando boa morte.

Heureca
Da interjeição grega heúreka, achei! A palavra ganhou as ruas da Grécia graças ao famoso matemático e inventor Arquimedes, que, depois de mergulhar numa banheira para se banhar, descobriu a lei do peso específico dos corpos, que viria a ser conhecido como o Princípio de Arquimedes. Conta-se que Arquimedes saiu da banheira e foi correndo pelas ruas, nu e gritando: “Heureca! Heureca!”. Algum grego que passava pelo local deve ter comentado: “Esse Arquimedes é maluco mesmo, foi preciso ficar nu para achar o que tinha nascido com ele”.

Histeria
Veio do grego hystéra, útero. Os antigos achavam que a histeria era causada por um desarranjo do útero e, portanto, era coisa de mulher. A crença de que a histeria era um mal feminino se sustentou por muito tempo. No início do século XX, um médico francês definiu a histeria como “uma neurose do aparelho gerador da mulher, repetindo-se por acessos apiréticos (sem febre), e tendo como sinal uma penosa sensação de estrangulamento”.

Os antigos produziram grandes absurdos com seus (des)conhecimentos sobre o corpo humano. Acreditavam que o coração era a sede da emoção e da inteligência. Por isso, várias palavras da língua portuguesa vieram de palavras que se formaram no latim a partir de cor, cordis (coração) como órgão da inteligência e dos sentimentos:

  1. a)    cordial, do latim cordialis, relativo ao coração, ganhou o sentido de afável, sincero;
    b)    concordar, do latim concordare, reunir corações (entendimentos);
    c)    discordar, do latim discordare, separar corações (entendimentos);
    d)    acordar(acordo), do latim accordare, conciliar corações (entendimentos);
    e)    recordar, do latim recordare, trazer de novo ao coração (memória).

Assim também se explicam de cor (o coração como sede da memória) e decorar. De cor em inglês é by heart; em francês, par coeur.

Para os antigos, o fígado era o centro da vida porque purificava o sangue. Daí, na mitologia, o castigo de Prometeu, acorrentado no monte Cáucaso para a tortura eterna: durante o dia, uma águia vinha bicar-lhe o fígado, que, à noite, era refeito.  Os antigos também achavam que o fígado era a sede dos humores e dos afetos, o que explica a origem das seguintes expressões:

  1. a)    desopilar o fígado(produzir alegria) – “desopilar” significa desobstruir (“opilar” é obstruir);
    b)    inimigo figadal– inimigo profundo.

Sarcófago
Veio do latim sarchofagu, que se originou do grego sarkophágos, formado de sarkós (carne) + phágos (eu como), ou seja, carnívoro.

O sarkophágos era uma pedra calcária (líthos sarkophágos, pedra carnívora) de que eram feitos os caixões de defuntos. A pedra tinha a propriedade de provocar uma decomposição rápida do cadáver.

Xerox
Veio do grego kserós, seco. Antes da xerografia, os processos fotográficos usavam compostos químicos.

Disponível em:http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/palavras-que-vem-do-grego.html

Nos próximos posts iremos explorar mais informações sobre o mundo grego. E o meu convite para você é: Vamos Falar de História?

Como estudar História? (parte 2)

Olá! No post anterior nós falamos sobre o que você NÃO DEVE FAZER na sua rotina de estudos de História. Hoje iremos explorar algumas dicas sobre o que você DEVE FAZER  e eu tenho certeza que elas irão te ajudar. Vamos lá?

Dica 1: Você deve compreender a divisão do tempo histórico. Quando você compreende essa divisão, fica mais fácil de entender que não precisamos estar presos as datas, mas sim ao período em que ocorreu um fato importante ou que se adotava uma prática. Mas que divisão é essa? Observe a imagem a seguir:divisão

Eu te desafio a observar cada um desses tempos históricos e se recordar de algum evento importante em cada período. Vamos tentar?

Dica 2: Observe o que está acontecendo na política, economia e sociedade. Geralmente o que estudamos em História é o desarranjo de alguma dessas coisas, por isso a necessidade de compreendê-las. Vamos observar os fatores mais relevantes de cada uma delas.

Política: Geralmente essa palavra assusta um pouco, as pessoas já se bloqueiam declarando: “eu não entendo nada sobre política! É muito complexo”. Na realidade falando de maneira mais simplificada política é simplesmente a maneira como as coisas se organizam, por exemplo, quando você vai pra escola, você sabe a hora que deve chegar e as regras que deve obedecer dentro da instituição e sabe o que pode acontecer se por acaso você não levar em consideração alguma instrução. Isso é política. Política é a forma como as coisas se organizam, são as suas “regras”. Em cada período histórico observamos “regras” diferentes e você pode observar que a maioria dos conflitos nascem do não cumprimento dessas “regras”, ou de um desejo de mudança delas.

Economia: Outra palavra que gera um desconforto nas pessoas, mas em História o que você precisa saber basicamente é como anda a economia do período. Ela é baseada em que? Como vivem os ricos? Como vivem os pobres? E observar o parâmetro econômico geral do país ou continente estudado. Devo destacar também que desarranjos econômicos são boas justificativas para conflitos e movimentos históricos importantes, é só ficar ligado!

Sociedade: Analisar como que as pessoas se organizam no período estudado. Quem manda? Quem não tem voz? Como são as formas de trabalho? Como estão organizados? Responder essas perguntas, nos ajuda a montar um cenário e facilitar o entendimento.

E você observou que as questões sociais estão interligadas com a política e a economia? Isso não acontece por acaso, as três vão andar juntas na hora da compreensão dos fatos, basta observar.

Então é isso. Espero que esse post tenha te motivado a estudar de forma mais eficiente. E deixo aqui o meu convite de sempre: Vamos falar de História?

Como estudar Historia? (Parte 1)

Existem vários mitos sobre a forma correta de estudar essa disciplina e são comportamentos que eu vejo muitas pessoas seguindo e repetindo, são muitas metodologias erradas que acabam nas mesmas reclamações: “Eu odeio história”, “Que matéria chata”, “O que esse assunto me interessa?” ou “Pra que eu tenho que estudar isso?” e etc. Se você já pensou ou já falou alguma dessas frases? Então esse post é para você.

Vamos começar falando sobre o que você NÃO DEVE FAZER durante os seus estudos:

Dica 1: Você não tem que decorar todo o seu livro.

Esse é um erro comum, muita gente acha que precisa decorar textos ou livros e isso é errado pois o que você precisa fazer é estudar esses textos de uma maneira que você compreenda e não decore o que está lendo.

Dica 2: Você não tem que decorar todos os nomes ou todas as datas.

Isso mesmo que você leu! Não tem que decorar todos os nomes e todas as datas. Para exemplificar isso vou falar sobre uma professora de história que eu tive que estava determinada a fazer com que decorássemos o nome completo de D. Pedro II. São 14 nomes!!! Qual foi a estratégia dela? Ela colou os 14 nomes na parede e tínhamos que ler todos os dias. Eu decorei? NÃO. Se eu tivesse decorado teria feito alguma diferença na minha vida acadêmica? NÃO. Mas me recordo que se tratava de 14 nomes porque eu preferia contar.

O fato é que esses detalhes não são cobrados em provas como o PAS, o ENEM ou o vestibular, o que essas provas cobram dos alunos é a compreensão dos eventos. O que você precisa é ter uma noção sobre os tempos históricos, compreender os principais eventos e desenvolver uma análise crítica sobre eles. Estando focado nesses conceitos você vai longe!

Dica 3: Você não odeia História!

Nós sabemos que o nosso psicológico pode trabalhar a nosso favor ou não. E quem controla isso somos nós mesmos. Muitas vezes repetimos várias vezes que odiamos determinadas disciplinas e isso faz com que criemos um bloqueio. Muitas pessoas que não são adeptas à leitura, declaram não gostar de disciplinas como: história, literatura, filosofia e etc. Outras que não gostam de fazer cálculos dizem não gostar de matemática ou física, por exemplo, mas no final das contas precisamos estudar todas essas disciplinas e um bom caminho para iniciar essa jornada é parar de falar que odeia ou que não gosta e estar disposto a abrir a mente e tentar novos caminhos.

Esteja disposto (a) a tentar!! Vamos falar de História?